Especial UFJ – Mulheres que transformam a ciência: pesquisas em Educação

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As pesquisas na área da Educação buscam entender como a escola funciona e como o ensino pode melhorar, analisando desde o que acontece em sala de aula até as políticas públicas que orientam a educação. Com essas pesquisas, é possível identificar problemas e desafios, pensar em soluções e propor melhorias, para, dessa forma, promover uma educação mais crítica, inclusiva e alinhada às necessidades da sociedade.

A segunda reportagem da série especial dedicada a valorizar as mulheres pesquisadoras da Universidade Federal de Jataí (UFJ), destaca as contribuições da professora Elizabeth Gottschalg Raimann, da Faculdade de Educação e do Programa de Pós-Graduação em Educação. A docente faz parte do grupo de pesquisa Nufope (Núcleo de Formação de Professores e Práticas Educativas), que atua nas áreas de políticas educacionais, gestão e formação de professores.

Elizabeth Gottschalg Raimann, professora e pesquisadora da Faculdade de Educação e do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFJ



“As minhas pesquisas se concentram em temas como Conselho Municipal de Educação, Plano Municipal de Educação e trabalho docente no contexto da Educação 4.0, dialogando com questões locais, regionais e também internacionais. A proposta é identificar as lacunas dessas temáticas e contribuir com a formação de gestores, professores e com as políticas públicas educacionais”, explica a professora.

Colocando os resultados em prática


Os estudos desenvolvidos pela professora e pelo grupo de pesquisa envolvem parcerias com instituições de diferentes regiões do Brasil, além de colaborações com pesquisadores de Portugal e da Argentina. Entre os resultados alcançados estão publicações científicas, ações de extensão e a produção de um livro financiado pelo CNPq, fruto de pesquisas sobre conselhos municipais de educação no sudoeste goiano.

“Estudamos como são instituídos os conselhos e como são realizados os trabalhos internamente. A partir desse entendimento, elaboramos um curso de extensão para a formação dos profissionais que trabalham nos conselhos municipais de educação do Sudoeste Goiano. As publicações científicas e o livro foram resultados desse trabalho de pesquisa e de extensão”, destaca Elizabeth.

Além da produção acadêmica, a atuação da professora também tem impacto direto na formação de profissionais e na construção de políticas públicas. Um exemplo foi a participação na elaboração do primeiro Plano Municipal de Educação de Jataí, contribuindo para o fortalecimento da gestão educacional no município. Sobre as pesquisas relacionadas ao trabalho docente, foi criado o Observatório Trabalho e Educação no Sudoeste Goiano.

“As pesquisas nas Ciências Humanas têm um papel fundamental na compreensão da realidade social e nos permitem desvelar aquilo que muitas vezes está naturalizado, revelando os interesses políticos, econômicos e sociais presentes nas práticas educacionais”, pontua Elizabeth.





A professora Elizabeth também trabalha com iniciação científica, incluindo projetos voltados para estudantes do ensino fundamental. A proposta é despertar, desde cedo, o interesse pela pesquisa e pelo pensamento científico.


“Acompanhar o desenvolvimento dos estudantes é uma experiência enriquecedora. Quando trabalhamos com o ensino fundamental, a ideia é incentivar esses estudantes para que eles venham pra universidade também”, enfatiza.

Mulheres pesquisadoras


Elisabeth ressalta a forte presença feminina nas pesquisas voltadas para a Educação. Em sua trajetória como orientadora, trabalhou com diversas mulheres. “É muito importante incentivar mais pessoas e mais mulheres a ingressarem na ciência. Precisamos desmistificar a ideia de que mulheres não sabem fazer pesquisa. Pelo contrário, temos excelentes pesquisadoras em formação”, afirma.

A professora destaca a grande satisfação em atuar como pesquisadora, ressaltando o quanto se sente animada ao despertar nas pessoas o interesse pelo conhecimento e pela descoberta. Para ela, apresentar a trajetória da pesquisa e incentivar a curiosidade sobre o que ainda é desconhecido é uma experiência muito enriquecedora, que gera um sentimento extremamente positivo e reforça seu entusiasmo pela área. “A pesquisa nasce de uma pergunta, de um problema que ainda não tem resposta. É esse processo que nos move a investigar e a produzir conhecimento”.

A série de reportagens continua ao longo de março, reforçando o papel essencial das pesquisadoras da UFJ na produção de conhecimento e no desenvolvimento da sociedade.


Texto: Tássia Fernandes/Secom UFJ