Especial UFJ – Mulheres que transformam a ciência: pesquisa, inclusão e transformação social na química

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A promoção de ações inclusivas no ambiente acadêmico é fundamental para ampliar oportunidades, reduzir desigualdades e fortalecer uma ciência mais representativa da sociedade. Na terceira reportagem da série “Mulheres que transformam a ciência”, a Universidade Federal de Jataí apresenta a trajetória da professora Eveline Borges Vilela Ribeiro, docente do curso de química, que faz parte do projeto de pesquisa e extensão Investiga Menina, que busca a integração entre ensino, pesquisa e compromisso social.


Turma do projeto Investiga Menina 2026


“O projeto tem o intuito de trazer meninas negras de ensino médio à universidade, desenvolvendo atividades relacionadas à química e a interseção da química com questões da cultura africana. A proposta surge da necessidade de enfrentar desigualdades históricas na ciência, uma área que, estatisticamente, a gente observa que as mulheres têm menor participação”, explica a professora.

A partir de parcerias com escolas da rede estadual de ensino, o projeto proporciona às estudantes experiências práticas em laboratório, permitindo que elas conheçam de perto o fazer científico.  O Investiga Menina é coordenado pela professora Anna Benite, da Universidade Federal de Goiás, e é financiado pela Capes.

“O projeto é uma contribuição para a ciência, para a quebra de estereótipos de quem faz ciência e de onde se faz ciência. Estou no projeto há dois anos e os resultados já estão surgindo. Uma das estudantes que participou enquanto estava no ensino médio veio para a UFJ e está fazendo licenciatura em química”, comemora Eveline.



Para Eveline, ser pesquisadora e professora é uma realização pessoal e um compromisso com a sociedade. “Nós temos um dever social de retribuir à sociedade a formação gratuita que tivemos dentro de universidades públicas. Ser professora de uma universidade federal e pesquisadora na área de educação química me deixa muito feliz. Nós vamos envelhecendo, mas estar sempre em contato com jovens que trazem ideias e pensamentos novos nos transforma todos os dias. Eu sou muito realizada fazendo isso”.

Ao refletir sobre a presença feminina na ciência, Eveline destaca a necessidade de romper barreiras históricas. “Se nós olharmos para o passado, observamos uma ciência masculina. Precisamos ampliar a participação das mulheres, porque competência não tem a ver com gênero. Nós mulheres temos competência para isso, nós podemos e devemos ocupar esses espaços. Precisamos construir uma ciência mais humana, participativa, mais justa e sem estereótipos”, enfatiza.

Na UFJ, histórias como esta reforçam o protagonismo das mulheres que, diariamente, transformam a ciência.

Texto: Tássia Fernandes – Secom/UFJ