Você sabe o que significa PANC? São Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC), espécies com potencial nutritivo e culinário que ainda são pouco utilizadas pela população.
O projeto PANC do Cerrado valoriza as plantas presentes no nosso bioma, que fazem parte da biodiversidade local e também dos saberes tradicionais, sendo fundamentais para diversificar a alimentação e fortalecer práticas mais sustentáveis.


São exemplos dessas plantas: Cagaita, Almeirão Roxo, Araça, Dente de Leão, Erva Cidreira, Melão de São Caetano, entre várias outras plantas que podem ser utilizadas no preparo de chás, sucos, pratos doces e salgados.
Valorizar a biodiversidade do Cerrado e resgatar saberes tradicionais por meio da alimentação têm sido os principais objetivos do projeto, que surgiu como uma pesquisa acadêmica e se consolidou como uma ação ampla que articula ensino, pesquisa e extensão.
“Todo esse trabalho começou como uma pesquisa de mestrado, em que foi desenvolvida uma metodologia ativa para ensinar sobre o tema. Hoje, já no doutorado em geografia na UFJ, partimos de três pontos: explicar o que são essas plantas, mostrar que é possível transformá-las a partir da produção de alimentos e, por fim, distribuímos mudas para que o processo continue sendo replicado”, explica Jefferson Carlos Sanches de Faria, pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFJ.
O projeto desenvolve ações educativas, oficinas pedagógicas e gastronômicas, além de atividades de divulgação científica e produção de conteúdos digitais. As iniciativas envolvem diferentes públicos, como crianças, jovens, estudantes universitários, educadores e pessoas idosas, promovendo o diálogo entre o conhecimento acadêmico e os saberes populares. Nesse processo, receitas, práticas culturais e experiências são compartilhadas, ampliando o entendimento sobre o potencial das plantas do Cerrado na alimentação.
“Conseguimos fazer desde preparações mais conhecidas, como os chás, até as mais elaboradas, como doces, geleias, farinha própria para enriquecer a alimentação de crianças, pães, bolos, massa de macarrão. É realmente muito interessante”, ressalta Jefferson.
As oficinas são realizadas em escolas, universidades e espaços culturais de Jataí, ao mesmo tempo em que o projeto mantém um portal online que reúne conteúdos educativos, receitas e registros sobre as PANC, ampliando o alcance das ações para outros territórios.

“Por meio da pesquisa também tentamos mostrar que o Cerrado precisa ser conservado porque nos oferece uma diversidade de plantas que têm um poder medicinal e gastronômico muito alto. Aproveitar essas plantas é uma cultura que está se perdendo ao longo do tempo e tentamos resgatá-la ao transmitir esse conhecimento”, pontua Jefferson.
Como reconhecimento pelo impacto do projeto, o pesquisador recebeu, em março deste ano, uma Moção de Aplausos na Câmara Municipal de Jataí. A homenagem destaca a relevância do PANC do Cerrado na valorização do bioma, na difusão do conhecimento científico e no fortalecimento de práticas alimentares sustentáveis, reconhecendo o alcance social e o impacto positivo da iniciativa na comunidade local.

Clique aqui para conferir mais informações sobre PANC do Cerrado
Texto: Tássia Fernandes – Secom/UFJ