Um projeto de pesquisa da Universidade Federal de Jataí vai estudar a viabilidade do cultivo de cacau na região de Jataí, a partir da avaliação do desenvolvimento da planta em diferentes condições de cultivo. Os experimentos serão realizados em três áreas: uma localizada na UFJ e outras duas em propriedades de agricultores familiares parceiros. Ao todo, as áreas somam um hectare.
Em cada uma das três localidades serão avaliadas diferentes condições de luminosidade, sendo pleno sol, meia sombra e sombra, para identificar em qual o cacau apresenta melhor desenvolvimento.
A primeira etapa do trabalho foi a realização de análises de solo nas áreas experimentais. As mudas já foram encomendadas de um viveiro localizado em Canavieiras (BA), e o plantio está previsto para o fim de outubro, durante o período chuvoso.


Em agosto, estudantes, pesquisadores e produtores rurais participantes do projeto devem fazer uma visita técnica a uma área de aproximadamente 10 mil hectares cultivada com cacau, no município de Barreiras (BA), para conhecer experiências de produção em larga escala.
O projeto reúne pesquisadores, estudantes e agricultores familiares. A equipe é formada por dois bolsistas de iniciação científica do curso de agronomia, que recebem bolsas mensais de R$ 700, além de outros 12 estudantes voluntários.
Além dos experimentos, o projeto prevê ações de extensão voltadas aos produtores rurais interessados na cultura. Especialistas serão convidados para ministrar palestras e atividades técnicas sobre temas como plantio, manejo, poda e condução da lavoura.
“A proposta é avaliar se o cacau pode ser uma alternativa de produção para a nossa região. Durante esse processo, vamos compartilhar os resultados e oferecer orientações técnicas aos produtores interessados, para que possam conhecer melhor a cultura e avaliar sua viabilidade”, destaca o professor do Instituto de Ciências Agrárias da UFJ e coordenador do projeto, Hildeu Ferreira da Assunção.
Produtores de Jataí e de municípios como Serranópolis, Aparecida do Rio Doce, Mineiros e Santa Rita do Araguaia já demonstraram interesse em acompanhar as atividades e participar das ações de capacitação previstas no projeto.
O cacau é uma cultura de longo prazo. As primeiras colheitas costumam ocorrer após três anos do plantio, enquanto a produção tende a se estabilizar por volta do quinto ano. Na região, o cultivo deverá utilizar sistemas de irrigação.
“Além da produção de amêndoas, o projeto também pretende avaliar o uso do cacau em sistemas agroflorestais, nos quais a cultura pode ser cultivada em associação com espécies como bananeiras e baru. Esse modelo é apontado como uma alternativa para o aproveitamento e a recuperação de áreas degradadas”, complementa o professor.
A iniciativa foi aprovada no Edital Universal do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e contará com investimento de R$ 141 mil para a realização dos experimentos e formação de estudantes.
Texto: Tássia Fernandes/Secom UFJ